terça-feira, 6 de abril de 2010

A dor da perda



As recordações de alegria hoje são dor. E as recordações das
dores, continuam sendo dores.

Nunca havia mesmo pensado sobre o fim, e esse assunto
realmente não fazia nenhum sentido pra mim. Mas vendo o começo e os meios,
posso afirmar que o fim me assombra, me dá medo. Há mais ou menos 1 ano perdi
um grande amigo. Um acidente, a van que o transportava caiu em um rio. 21 anos,
namorada e muitos planos. E tudo acabou ali. Os sonhos deixaram de ser
sonhados, e eu nunca mais terei aquela companhia de sorveteria para qualquer
dia de tarde. Na verdade só acreditei quando o vi naquela caixa de madeira, com
familiares e amigos em volta, cantando canções que eu sabia que faziam parte da
vida dele, contando histórias. Lágrimas. Só consegui chegar perto de meu amigo
uma vez nesse dia, e não tive tempo de me despedir. Naquele dia faziam já meses
que eu nem conversava com ele, não por raiva, mas pela falta de tempo. Via ele
uma vez ou outra subindo a rua da igreja, nos cumprimentávamos com um abraço, e
ele continuava subindo a rua, e eu descia.

Só escrevo agora porque foi só agora que percebi o valor do
tempo. Ás vezes, antes de dormir me dá um vazio de repente e penso: Puxa, depois daqui não há mais nada. Como vou
abraçar quem eu quero, ou beijar quem eu amo depois que estiver se encerrado o
tempo? Acredito em Deus, e acredito naquela vida eterna. Mas ela não será a
mesma que essa. Há quem diga que será melhor. Mas lá eu abraçarei? Beijarei?

Tenho medo do tempo. Isso é algo que realmente me causa
arrepios ao pensar. Se acabar tudo aqui, agora.. O que eu gostaria de ter feito
que não fiz? Dará tempo de fazer tudo o que eu quero? E aquele meu amigo? Teria
ele saudade da vida? E teria eu já perdido a vida sem ao menos ter morrido? Para
você que está lendo: Não tenho interesse nenhum em causar sentimentalismos ou
passar a você uma impressão de cachorro sem dono. Apenas são pensamentos. Meus
sentimentos. Meus pensamentos.

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